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Entrevista exclusiva: Klaus Meine fala sobre a última grande turnê

Postado por Roberta Forster em 20 Jan 2013

No sábado passado (12/01/13), Klaus Meine, vocalista do Scorpions, concedeu uma entrevista exclusiva ao Scorpions Brazil. Klaus falou sobre a polêmica decisão de não encerrar a carreira. O cantor foi enfático ao afirmar que não foi estrategia de marketing, eles realmente vão parar com as grandes turnês e usou o Rolling Stones como exemplo: o Stones está de volta à ativa, mas ficou 5 anos sem fazer shows. O Scorpions deve apenas parar com o ritmo louco de gravação de um álbum e sair pelo mundo em uma turnê massiva. Klaus Meine falou ainda sobre o Rock in Rio, Copa do Mundo e a possibilidade de voltar ao Brasil, além de relembrar o período da Guerra Fria e falar de sua impressão do mundo, desde o fim da guerra até hoje, e como foi para ele crescer num país dividido em um mundo bipolarizado e a influência dessa vivência em sua música. Confira!

Scorpions Brazil: Olá, galera do Scorpions Brazil, nós estamos aqui com Klaus Meine, vocalista do Scorpions (e alguém tem alguma dúvida de que esta é a melhor banda de rock alemã?). Nós entrevistamos o Klaus em 2010 quando eles anunciaram o fim da banda, deixando muitos fãs desolados. Mas aqui está o Klaus mais uma vez para falar com a gente e parece que, felizmente, a banda desistiu dos planos de aposentadoria. Vamos saber um pouco mais sobre isso? Olá, Klaus! Como vai?

Klaus Meine: Olá, Roberta! Como você está?

SB: Estou bem, obrigada! Então... como você se sente depois desses três anos da Final Sting Tour?

KM: Bem, eu me sinto como se isso fosse um pouco surreal, porque, por um lado, eu me sinto ótimo, pois nós terminamos a turnê no fim de dezembro, antes do natal, com um show fantástico em Munique, muitos fãs vieram de toda a Europa e acredito que do mundo todo. É maravilhoso estarmos fortes na ativa, chegando ao fim da linha de certo modo... mas então depois de umas duas semanas agora, eu me sinto como... eu quero fazer a minha mala de novo, sabe? Aonde vamos agora? (risos) É um pouco estranho, e diferente!

Mas é claro que eu aproveito o tempo que passo com a minha família, eu aproveito que temos o momento para dar uma boa respirada e nos darmos conta de tudo o que passamos nos últimos anos e isso é maravilhoso, é uma ótima sensação saber que tivemos uma turnê fantástica, de muito sucesso, com tantos fãs ao redor do mundo, são tantas memórias! É como um filme na minha cabeça, essas imagens vêm a mim, e claro, quando eu olho para os shows que fizemos no Brasil, tantos lugares em todos esses anos... nós começamos no primeiro Rock in Rio, tocando no Rio de Janeiro, em 1985, até chegar 2012... tem sido uma longa estrada, é muito empolgante! Nós nos divertimos muito voltando à América Latina, e nossos fãs no Brasil nos tratam sempre como... é incrível voltar ao seu país!

SB: Oh, isso é muito bom!  E o que você sente sobre o Scorpions sendo comparado a bandas como o Kiss, que já desistiu da aposentadoria várias vezes, e também sobre as críticas que dizem que os seus planos de parar foram apenas uma estratégia de marketing. As pessoas têm dito coisas como essas, o que você pensa sobre isso?

KM: Bem, vou te dizer a verdade, quando nós terminamos o Sting in the Tail, nos o gravamos a maior parte bem aqui no estúdio, e todos nós sentimos, antes que fosse lançado, que era um álbum no qual nós realmente encontramos o DNA do Scorpions, e nós sentimos que fizemos isso, que gravamos um álbum que nossos fãs estavam esperando há muito tempo, nós realmente encontramos a pegada do Scorpions que muitos fãs procuravam ao redor do mundo e, com os nossos produtores Mikael Andersson e Martin Hansen, nós fizemos exatamente isso.

O sentimento foi... quem sabe se, depois de tantos anos, nós pudéssemos aliar esse tipo de ‘vibe’, se pudéssemos fazer novas gravações com a mesma qualidade, a mesma energia, o mesmo tipo de música, com o mesma força de material... e quando nós falamos sobre isso, nós sentimos que é um excelente álbum, ele poderia ser, de bom modo, depois de tantos anos, depois de 40 anos com o Scorpions, para terminar e dizer “então é isso, adiós”, com um ótimo álbum, uma ótima turnê que nos levou ao redor do mundo mais uma vez,  3 anos... e foi o que fizemos!

Mas falar é uma coisa... ano após ano, depois de cada show chegando perto da do final da contagem regressiva... nós percebemos que uma coisa é falar “então é isso, nós vamos acabar com a banda”, mas é praticamente impossível para nós, como uma família, a “family of spiders” não é apenas com os fãs ao redor do mundo, mas também dentro banda. Nós temos a nossas famílias, mas com o Scorpions nós temos a nossa família do rock’n’roll, e depois de muitos anos isso se tornou cada vez mais emocional para todos nós e, vendo entrevistas, foi como... bem, eu estava vendo o que o Matthias dizia em entrevistas, ou o Rudolf, vendo o que eu dizia em entrevistas e nós nem mesmo pesávamos de fato sobre aquilo, foi mais como... cada palavra era mais como “bem nós precisamos parar com essas turnês exaustivas, nas quais fazemos entre 60 e 100 shows pelo mundo ano após ano após ano... sem ter uma boa parada, sabe... apenas precisávamos algo como uma pausa mesmo, nós tínhamos que mudar esse tipo de rotina.

Essa decisão foi crescendo, especialmente nos últimos 12 meses, quando nós percebemos... “bem, essa turnê de despedida está chegando ao fim” e então nós dizemos “é isso, adeus”, quero dizer, todos nós estávamos atrás dessa decisão que era “essa vai ser a última turnê”, mas todos nós estávamos checando nossas emoções e, mais perto desse ponto... e, claro, o fato de que tantos fãs ao redor do mundo diziam “Scorpions, vocês estão loucos? Por que vocês querem acabar com a sua carreira? Por que vocês querem parar de fazer álbuns? Por que vocês querem parar de sair em turnê e tocar entre a Rússia e L.A., entre Moscou e L.A., Paris e São Paulo... por quê?”

E o fato é, também, que nós temos tantas crianças, tantos fãs jovens em frente ao palco todas as noites, nos temos toda uma nova geração de fãs do Scorpions nessa última turnê e eles estavam nos vendo tocar ao vivo pela primeira vez na vida deles, e isso foi... quero dizer, havia tanta energia que vinha da audiência, não só daqueles que estavam nos apoiando desde os primórdios mas também toda essa geração jovem de fãs do Scorpions... e isso foi realmente tocante, um sentimento maravilhoso saber que estávamos alcançando o coração desses jovens pelo mundo e, juntando tudo isso, no fim do ano, através dos dois últimos meses, nós chegamos a uma conclusão dizendo “Bem, vamos finalizar essa turnê em grande estilo e com o grande clímax e dar uma profunda respirada e ver então o que a vida nos traz”.

Então nós não vamos acabar com a banda... na verdade eu nunca disse que nós íamos acabar com a banda, eu disse que pararíamos com as turnês, há muito trabalho para todos nós fazermos e, claro, depois de 40 anos da nossa carreira, é impossível voltar para casa sem ter um trabalho artístico esperando por você... há muito trabalho, nós estamos fazendo um filme, há muita coisa, e se pararmos agora não da pra fazer tudo... há realmente muito trabalho para nós agora no qual ainda estamos todos envolvidos, então... esse é o outro lado, mas não há nada mais doce do que o sucesso, e eu sei que vai ter gente dizendo “Ah, qual é, caras, isso foi um plano desde o começo...”, não, não foi um plano, não mesmo! Eu sei, nós não somos os primeiros artistas a dizer “Então é isso” num dado momento, e depois voltam e continuam para sempre, mas... eu não sei o que será da história do Scorpions no fim das contas, mas eu sei que, de coração, nós acreditamos que esse é o passo certo, e começaremos a partir dele, e agora eu te digo, não há planos para shows agora, é diferente.

Você me perguntou no começo como eu me sinto e eu digo que é um pouco estranho porque não há plano para shows, quando nós estamos por ai vendendo ingressos, tocando em shows ao redor do mundo, como há um ano. Em janeiro, havia uma enorme quantidade de shows quando tinham muitos shows pela frente nos Estados Unidos...   e nós estávamos de alto astral. E, neste momento, não tem nada, nós podemos fazer um show aqui e ali... participando de eventos especiais, mas não tem nada planejado. Nós costumávamos saber sobre os shows, e isso é meio diferente agora.

Eu acho que, de certa forma, mesmo deixando mais aberto do que estava planejado, ainda parece como uma pausa, nós todos concordamos que não queríamos que a coisa continuasse da forma como estava sendo feita esses anos todos. Até os Stones, que são uma geração à nossa frente, tinham as suas pausas. Eles tiravam um tempo pra eles, e eles voltaram a fazer shows agora, mas havia cinco anos que eles não tocam ao vivo. Com Scorpions sempre foi estar no estúdio ou fora em turnês ou de volta ao estúdio... e estamos fazendo isso há quarenta anos, é claro espero que todos possam compreender que chegamos num ponto que temos que parar essas turnês massivas. Qualquer coisa que faremos no futuro será como um trabalho extra e, o mais importante, será mais como “vamos nos divertir, rapazes! Vocês querem fazer isso? Oh, que bom! Por que não? Querem voltar ao Brasil? Que tal? Sim, poderia ser pra abertura da copa. Você tá brincando?? Claro que voltaríamos ao Brasil!”

Nós também ouvimos rumores sobre a copa no Brasil. Sei que havia pessoas falando que seria ótimo se os Scorpions viessem em 2014 e tocassem na abertura ou fechamento, não importa, participar na copa. Nós somos fãs de futebol, nós amamos futebol e isso é ótimo já que agora com nossa nova agenda, eu posso assistir jogos do meu time favorito, o Hannover 96 e ir ao estádio me divertir e torcer pro meu time. Nós adoraríamos ser parte de um evento mundial como a copa no Brasil em 2014, mas nesse ponto nós não podemos planejar com antecedência a não ser que haja uma oferta oficial. Então o que quero dizer é que são muitos rumores. Seria maravilhoso, sem dúvidas, mas é isso o que posso dizer por enquanto.

Nós estamos sempre abertos para este tipo de coisa, pois temos a mente bem aberta e este é o motivo pelo qual nós fazemos projetos, como aquele com a Filarmônica de Berlim, e estamos sempre abertos para coisas diferentes, então se houver ofertas e projetos para o futuro, eventos especiais por vir, nós daremos uma olhada. Se parecer legal, então diremos sim, “sim, vamos fazer isso. Vamos nos divertir, rapazes!”

Essa é a situação, é diferente do que E com o que estamos acostumados a fazer por todos esses anos e com essas turnês intermináveis ao redor do mundo. Sabe, isso é tipo uma pausa séria, uma mudança séria de nossas vidas como artistas e músicos. Mas posso te dizer algo diferente, se você me perguntasse daqui a 6 meses o que rolaria, a resposta poderia ser totalmente diferente, pois nós não sabemos. Nós já tivemos muita experiência, muita experiência mesmo, e assim como o Matthias costumava dizer: “Como será terminar a carreira? Não tocar mais por aí?” Nós não sabemos como será. Em poucos meses, todos provavelmente ficariam muito tristes e dizendo que sentem muita falta da turnê, sabe? “Vamos voltar!” Eu não sei, mas não posso culpar vocês pelas críticas ou por dizer “Ah, qual é, rapazes. Isto foi um plano, uma estratégia ou algo assim”. Eu só posso dizer como eu me sinto de como eu me sinto ao que vivemos estes últimos dois anos e meio, foi maravilhoso, e se a vida abrir as portas amanha... e não poderemos agradecer por todos estes anos que tivemos como artistas, e a maneira que estamos conectados com o mundo todo, isso é algo que ninguém poderá tirar de nós.

SB: Ok, eu só posso dizer que...

KM: Foi uma longa fala, não?

SB: O quê?

KM: Foi uma longa resposta (risos)

SB: (risos) Ah, sim, e você já respondeu algumas perguntas que eu ia fazer como a Copa do Mundo... essa era uma pergunta que eu ia fazer!

KM: Então é isso? (risos) Obrigado Roberta, foi um prazer te ver...

SB: Não, não! Ainda há mais algumas perguntas...  Por favor não vá ainda! (Risos) Bom, eu estou muito feliz que vocês decidiram não parar, os fãs estão muito felizes. E você está no seu estúdio agora, certo?

KM: Sim.

SB: Quando eu falei com Rudolf aqui em São Paulo, há alguns meses atrás quando vocês estavam em turnê por aqui, e ele falou algo sobre trabalhar em antigas gravações, vocês estão realmente planejando lançar esse material?

KM: Sim.

SB: E há alguma chance de trabalhar em um novo álbum de estúdio?

KM: Eu não sei ainda... é claro, é muito engraçado, esse é o outro lado da nossa história, após todos esses anos, você vai à sua gravadora e diz “esse é o nosso último álbum, nos estamos indo embora, tchau” e então eles dizem “Ora, vamos, Scorpions, nós não vamos deixar vocês irem... nos temos essa ideia, pense sobre isso e tal...” e... bom, nós vemos isso como um tipo de elogio, isso é melhor do que, depois de tantos anos, seu parceiro de trabalho, sua gravadora dizer “Então é isso, nos divertimos muito, Scorpions, nos vemos algum dia, tchau, tchau.”

Nós temos a situação oposta, “Não, espera, não os deixaremos ir...” é um elogio, por que eles gostam de trabalhar conosco, temos um ótimo relacionamento, tivemos muito sucesso juntos. Então é melhor, depois de tantos anos, termos essa situação oposta acontecendo. Muitos artistas, que têm seus altos e baixos, no fim da carreira eles vão cada vez mais para baixo, e isso é uma história triste... com a nossa banda nós temos exatamente o oposto. Talvez porque nós nunca perdemos a paixão pela música, por rock’n’roll, por aquilo que fazemos. Nós nunca perdemos a paixão por ir lá e tocar em frente aos nossos fãs, porque tudo isso é por causa deles. E é isso que faz a separação daquilo que causa um grande impacto hoje mas amanhã já era, porque já tem outra atração esperando na esquina.

O Scorpions está sempre lutando com o sangue para se manter forte, cheio de energia. Nós sempre fomos uma banda que trabalha muito duro, mas nós nunca perdemos a paixão a nós realmente curtimos o que nós fazemos e isso é também o que faz a relação entre na gravadora e o artista, onde você quer continuar ou quer parar. E nós quisemos parar, e a nossa gravadora disse “De jeito nenhum! Vamos lá, que acham disso...”, e então há projetos no ar, mas é muito cedo para falar disso.

Nós estamos pensando sobre mo assunto e pode haver alguns projetos interessantes a se realizarem num futuro próximo, mas agora tudo o que posso dizer (e nós anunciamos isso há um ano) é que estamos trabalhando em algumas músicas que ficaram de fora no começo dos anos 80, nós encontramos um bom material dessa época. É como os fãs disseram, “Ora vamos, Scorpions, existem várias músicas que vocês nunca lançaram”, então estamos trabalhando nisso e certamente olhando mais de perto para isso, há uma grande quantidade de material, o que dificulta a direcionar o olhar.

Eu gravei alguns vocais há um ano... há um ano! Isso foi entre o natal e quando começamos a turnê de novo em 2012. Então, como há muito material, está muito longe de ser finalizado, de qualquer forma. Eu ouço as pessoas dizerem “agora eles não querem as letras originais dos escritores das músicas” algo desse tipo, isso não é verdade, de qualquer maneira, se há alguma coisa que precisamos... uma coisa é você gravar uma música com o som de hoje, mas do ponto de vista criativo, se você, mas se você tem que mudar alguma coisas só porque o que estava lá não era bom o suficiente, afinal, há uma razão por que aquelas músicas não entraram nos álbuns nos anos 80, e se há alguma coisa para mudar, então temos que mudar. Mas isso é quando não há letra, então você tem que escrever alguma letra para fazer algum sentido, certo?

SB: Certo.

KM: Mas isso é... bom, não quero entrar em muitos detalhes agora. Mas é muito divertido voltar no tempo, aqueles anos foram grandiosos porque nós criamos muitas músicas impactantes, e muitas delas se tornaram clássicos. E isso foi há muito... nós estamos falando dos anos 80, foi há muito tempo! Então você realmente precisa olhar atentamente para esse material para encontrar as músicas corretas para trabalhar, elas devem ser músicas que todos os nossos fãs gostariam de ouvir. Então esse é um projeto empolgante é definitivamente algo que, em algum momento dos meses que estão por vir, podemos fazer a reescolha para esse projeto. Mas nós não sabemos quando isso será lançado, ou se isso será de fato lançado. Vamos ver, em primeiro lugar isso  é apenas algo que sentimos que vale a pena trabalhar em cima e se isso ficar muito bom, então, obviamente, será lançado em algum momento.

E nós estamos trabalhando num filme, como você sabe, e nós começamos a filmar em Bangkok no começo de 2011 e nós estivemos filmando na Itália, em Berlim, em Londres, em Paris, agora em Munique, em Los Angeles, então nós temos a nossa equipe conosco e muitas ocasiões para escolhermos ao redor do mundo, e agora isso está em processo de edição, trabalhando todo esse material, temos toneladas de material do mundo todo. Nós filmamos o show de Munique, tivemos uma audiência fantástica, foi realmente um grande momento para colocar no filme, e deve ser um pacote completo, para o cinema, sairá em DVD, é claro, na televisão e outros muitos meios, então está tudo programado agora e ainda há muito trabalho a ser feito.

Então partimos daí, e temos muita coisa para fazer como trabalho de estúdio, para trabalhar nesse filme, por exemplo, então a vida não sera entediante para nós mesmo que estejamos fora da estrada. Por enquanto tudo está bem e, claro, sentimos falta de nossos fãs e devemos sentir falta de todos eles durante os próximos meses.

 
 

SB: Sobre esse filme que vocês estão fazendo, vocês gravaram alguma coisa no Brasil para colocar nele?

KM: Eu acho que filmamos alguma coisa na América Latina, e também no Brasil. É, eu acho que sim, porque nós sempre tínhamos nossas câmeras por todos os lados para tentar capturar todos esses momentos mágicos e, no fim do dia são muitas partes diferentes do mundo todo, tentando apresentar um apanhado geral de tudo, esse é um filme sobre a carreira da banda, é sobre a toda a história do Scorpions e, claro, sobre essa turnê de despedida.

SB: E sobre o Rock in Rio? Os fãs brasileiros estão fazendo uma petição para levar vocês para tocar lá. Há alguma chance de vocês tocarem no Rock in Rio?

KM: Uma vez que temos uma conexão especial com o Rock in Rio, porque nós tocamos no primeiro em 85, se a oportunidade surgir agora, nós consideraríamos bastante a oferta, seria maravilhoso sabe, tocar no Rock in Rio de novo,  é claro! Mas todos esses anos, eu sei que ele foi feito por muitos anos em Portugal e agora está de volta ao Brasil. Eu só sei que nós estávamos sempre disponíveis para o Rock in Rio, estávamos sempre esperando um convite surgir.

Mas tem o outro lado, para ser honesto, uma vez que paramos com essa turnê massiva, não muito fácil sair para tocar em um grande show como o Rock in Rio, há muitas pessoas envolvidas… estou falando da nossa equipe, a melhor equipe do mundo com a qual estivemos todos esses anos, nos momentos bons e nos ruins, nós temos realmente uma equipe fantástica. E o que eles estão fazendo agora? É claro que eles precisam trabalhar e também entrar em diferentes projetos, em diferentes turnês e ter todo esse pessoal junto não é fácil, então, quando eu disse que seria maravilhoso tocar aqui e ali, alguma oportunidade que surja nós diremos “Vamos lá, legal!”, é diversão tudo isso.

Nós curtimos isso, “vamos nos divertir, yeah!”, é verdade, mas na realidade isso também significa reunir todo mundo, reunir a equipe, e colocar junto tudo que faz com que o show do Scorpions seja grandioso, e eu acho que isso não é fácil e quando você não está em turnê, então nós temos que ver, é um novo capítulo inteiro no livro da vida, temos que ver todos esses projetos dos quais estamos falando agora e tudo o que isso implica e… quem sabe?

Na banda, poderíamos nos surpreender com algum trabalho solo, eu não tenho planos para mim exatamente agora, mas eu não sei quanto ao Rudolf, Matthias, James Pawel... Pawel tem o Stirwater, e ele deve estar tocando na Polônia, James tem algum trabalho dando aulas de bateria e talvez alguma coisa envolvida com isso, nunca se sabe… o Matthias tem a loja de guitarras dele em Munique, Rudolf está curtindo o carro novo dele nas estradas alemãs (risos), então todos temos muitas coisas, ou seja, temos um capítulo inteiramente novo. Se há alguma coisa diferente a essa altura, nada nesse ano foi planejado até 2014, então, esse ano está como um espaço vazio e veremos com o que vamos preencher.

Mas eu acho que, no momento, depois de todos os shows que fizemos, quase 200 shows em 35 países ao redor do mundo, entre o começo de 2010 e o fim de 2012, você pode imaginar quanta energia, quanto trabalho, quanto tempo viajando, quantas horas em aviões e ônibus eu estive envolvido, então é ótimo agora poder voltar à terra da criatividade, é uma sensação maravilhosa.

SB: Então você não vai parar no topo e o melhor está por vir? (risos)

KM: Yeah (risos)

SB: E você sabia que o Paulo Baron, da Toplink Music, está trazendo ex membros do Scorpions para uma reunião com o Michael Schenker Group aqui e eles farão um grande show com o Herman, Uli Jon Roth, Francis… é uma grande Jam! Você estava sabendo?

KM: Não.

SB: Eles virão para São Paulo em junho, mais três meses e eles estarão vindo para cá [N.E: errei a conta!]. Quando eu estava falando com você para pedir essa entrevista, eu lancei no Facebook uma pergunta “O que você perguntaria a Klaus Meine?” e muitos quiseram saber se você viria ao Brasil e se juntaria a eles num show de novo, talvez aqui… mas, bem, já que você disse que não sabe quando voltaria…

KM: O quê? Eu ou o Scorpions?

SB: Você, ou o Scorpions… talvez você sozinho.

KM: Eu não ouvi falar sobre isso e.. eu não sei, agora não há nenhum plano para uma reunião com a família Scorpions… não.

SB: (risos) Teremos esse show. Tentarei estar lá como fotógrafa, quero ver os ex membros do Scorpions de qualquer maneira, veremos. Seria maravilhoso se você pudesse estar lá, mas se não estiver, eu vou de qualquer forma (risos).

KM: Oh, yeah… esses caras são parte de nossa história, nós os queremos bem e… você sabe, tivemos muito sucesso juntos e eles curtem o que fazem e estou certo também pelos fãs. O que eles veem, o que eles ouvem; é arte da história do Scorpions, é tudo ótimo mas… ahm… (risos)

SB: Ok (risos)

KM: Nós fizemos essas reuniões várias vezes e claro que a mais popular é a que fizemos em Wacken, na Alemanha, quando tivemos desde o Uli até o Herman, o Michael Schenker… foi realmente uma grande reunião da família e foi maravilhoso, mas acho que não podemos fazer isso toda hora, e de novo, e de novo… é como eu disse, nós tocamos quase 200 shows ao redor do mundo e agora é hora de fazer uma pausa, é hora de recarregarmos a nossa criatividade e, como alguém escreveu na internet, “vocês são muito novos para se aposentar” e é assim que nos sentimos! (risos) O Scorpions está por aí há 40 anos e podemos estar velhos na idade, não há muitas bandas da nossa geração na ativa por aí, mas ainda nos sentimos jovens com o coração e nossos shows com todos aquelas crianças, jovens em frente ao palco cantando nossas músicas e… isso aparece no Facebook, por exemplo, onde nós temos quase dois milhões de seguidores e entre 60 e 80% deles estão entre 16 e 28 anos e eu acho que isso é algo maravilhoso, fazer esse tipo de conexão, nossa música está alcançando também a próxima geração.

Essa é uma sensação realmente maravilhosa e todas as noites quando estivemos por aí nós curtimos cada minute disso tudo. Como no Brasil… é fantástico! Eu me lembro do primeiro show que fizemos em Belo Horizonte em 2012 quando o equipamento que chegou atrasado do México e adiou o show para o dia seguinte e o promotor, nosso amigo Paulo Baron disse “Vocês precisam ir lá e tocar antes de ir para a Bolívia” e os fãs foram fantásticos! Nós estávamos explodindo em energia (risos), foi simplesmente fantástico.

SB: Mudando um pouco de assunto, eu entrevistei Herman Rarebell no ano passado para falar do livro dele “And Speaking of Scorpions…” [N.E: Título em português: “Scorpions. Minha história em uma das maiores bandas de todos os tempos”], que foi lançado recentemente no Brasil, e ele disse que não tem ideia se algum de vocês leu o livro. Você leu?

KM: Se eu li o livro?

SB: Sim. O que você acha do livro?

KM: Ah... (risos) Na verdade eu nunca vi o livro e eu nunca li o livro.

SB: Oh, você ainda não leu, ok.

KM: Você leu?

SB: Sim, sim, eu li o livro e fiz a entrevista para falar dele (risos).

KM: Ele nunca foi lançado na Alemanha.

SB: Ele foi escrito em inglês.

KM: O livro é em inglês?

SB: Sim, em inglês, e foi lançado em português no ano passado aqui no Brasil.

KM: Ok.

SB: Então eu li em português.

KM: Bom, já que tenho muito tempo agora, posso ler todos os livros dos meus amigos e talvez isso me dê inspiração para escrever meu próprio livro.

SB: E falando sobre livros, há algum livro que mudou a sua vida? Você tem um escritor favorito?

KM: Não que isso tenha mudado a minha vida… eu gosto de ler biografias e coisas do gênero… eu conheço Paulo Coelho, é um escritor fantástico. Ele é brasileiro, certo?

SB: Sim, é brasileiro.

KM: Gosto muito dele.

SB: Eu nunca li Paulo Coelho, mas eu conheço. Eu sei que o Rudolf é amigo dele e também gosta muito. Então… você escreveria um livro? Talvez falando sobre o Scorpions.

KM: Sabe, em algum ponto da minha vida eu já quis escrever um livro, mas agora eu não penso nisso.

SB: Ok. No livro do Herman, ele fala sobre a primeira vez que vocês visitaram a URSS, quando o mundo ainda vivia a Guerra Fria, ainda que nos seus últimos dias. Você sentiu o vento que trazia as mudanças e então compôs Wind of Change. Essa música representa o sentimento do que estava acontecendo não apenas na Alemanha e Rússia, mas também no mundo todo. E então aconteceu: o muro de Berlim caiu. Como você sentiu esse processo? Vendo de dentro, como você descreveria o mundo atual depois disso, o muro caiu pouco depois que você compôs Wind of Change. Como você vê isso desde lá até aqui?

KM: Não entendi a última parte da pergunta.

SB: Como você sente esse processo? Vendo isso de dentro, da Alemanha, esse processo do Muro de Berlim caindo e você compondo Wind of Change. Como você descreve o mundo, partindo do fim da Guerra Fria para agora?

KM: Ah, desde o fim da Guerra Fria, ok. Se eu entendi sua pergunta corretamente, eu acho que todos nós crescemos numa Alemanha pós-guerra, num país dividido entre ocidente e oriente com o Muro de Berlim, nós crescemos com tudo isso e quando o Muro de Berlim caiu, isso foi um momento fantástico para fazer parte de nossas vidas desde então... aqueles foram dias da Guerra Fria, do confronto com o ocidente.

Desde então eu acho que o mundo mudou com os acordos que vieram em todos esses anos. Desde o atentado de 11 de setembro, por exemplo, e o que nós vemos agora no Oriente Médio… de algum modo o mundo está mais perto e desde a queda do muro até agora, por outro modo, o mundo ficou um pouco mais complicado com pequenos acordos ao redor do mundo.

Eu não sei se captei bem a sua pergunta, eu acho que agora existem muitas pessoas por ai, a nova geração procurando por outros ventos de mudança para um mundo mais pacífico, portanto, o mundo mudou em 89 aproximando as pessoas mas agora há uma forma totalmente diferente de revolução. Nós vemos em tantas partes do mundo tanta violência, tantos lugares onde as pessoas esperam que poderão fazer parte de um mundo livre e não mais precisam ir a prisão por ouvir a música que amam, qualquer que seja a música.

SB: E como foi para você, como uma criança crescendo num país como a Alemanha dividida, com Berlim dividida. Como você se sentiu crescendo no meio disso tudo e como isso influenciou na sua música?

KM: Era parte da nossa realidade. É claro que crescemos com o trauma de sermos a geração do pós Guerra, nós estávamos crescendo num pais… nós não seríamos orgulhosos do nosso país, claro que não. Eu penso muitas vezes que essa é uma das razões pela qual eu comecei a cantar em inglês quando nós começamos o Scorpions, nós queríamos fazer parte da música internacional, queríamos ser uma banda internacional porque do modo como crescemos na Alemanha depois da Guerra, e com a geração dos nossos pais, foi emocionalmente difícil lidar com isso. Então, como artistas, como músicos nós queríamos ser… de algum modo queríamos ser livres do nosso passado, passado que a Alemanha e o mundo viveram antes de termos nascido.

E, claro, muitas vezes, no estúdio escrevendo músicas, mesmo antes de Wind of Change… eu escrevi músicas como Crossfire, na qual eu tentei descrever meus sentimentos sobre como é crescer entre aqueles poderosos blocos, a União Soviética e os Estados Unidos, o Oriente e o Ocidente. Então eu acho que quanto nós estivemos em Moscou, no Moscow Music Peace Festival… o Ozzy Osbourne e o Bon Jovi estiveram lá e voltaram para casa dizendo “Nós detonamos na União Soviética!”, mas para nós, que viemos da Alemanha, foi uma história muito mais emocional, por isso eu escrevi Wind of Change, pois sempre fui influenciado pelo modo que crescemos e o que vimos em nosso país, e também temíamos o confronto, o perigo quando os tanques americanos e os tanques soviéticos estavam frente a frente em Friedrichstraße, no Checkpoint Charlie, encarando uns aos outros em Berlim. Parecia que a próxima Guerra Mundial estava a alguns minutos de distância, quem quer que disparasse uma bala ali começaria a Guerra.

Nós crescemos com isso vivendo no Ocidente, mas o confronto, com aqueles diferentes sistemas tão perto, isso poderia explodir a qualquer momento. É claro que quando você é um artista, como um escritor em sua escrita, isso toma uma grande parte no seu coração e no modo como você sente, como você escreve. Eu escrevi muitas músicas sobre correr atrás de mulheres e “bad boys running wild” e, para mim, em letras como Wind of Change ou Crossfire, todas essas músicas, ahn… Send me an Angel, há emoção e também parte do modo como crescemos… então é muito pessoal e as músicas vêm do fundo do meu coração.

SB: Como resultado da Guerra Fria, havia duas Alemanhas, como falamos. Como você se sentiu assistindo às duas Alemanhas jogando uma contra a outra na copa de 1974? A Alemanha Oriental ganhou com um gol de Jürgen Sparwasser.

KM: Bem… quando eu me lembro disso, eu acho que era mais um pequeno sinal de que as duas Alemanhas estavam tentando um pouco mais perto uma da outra. Para mim foi um jogo muito empolgante de assistir para as pessoas da Alemanha Oriental e da Alemanha Ocidental, e a Oriental ganhou, e então eles diziam “Wow, yeah! Nós demos um belo chute na bunda da Alemanha Ocidental!”, isso foi uma grande coisa para eles, é claro, eu entendo e acho que esporte e música, as duas coisas, são onde você tem a chance de unir as pessoas porque o que vemos em tantas partes do mundo diferentes tipos de pessoas, diferentes sistemas, é como… as pessoas lutam, pessoas se odeiam! O modo como elas crescem e o modo como vivem suas vidas no mundo delas, elas brigam entre si! É o que vemos todos os dias nas notícias.

E com a música nós vamos para esse país, para aquele país, e tocamos para todos aqueles fãs, e eles cantam juntos, as mesmas músicas, com a mesma emoção, não vemos nenhuma diferença. Mas uma vez que deixam o show, voltam ao mundo real e as brigas continuam, essa é a realidade e, algumas vezes, como artistas, como músicos, nós vemos esse mundo através de ponto de vista emocional, e vemos que, no final das contas, eles são mais parecidos e estão mais perto juntos a cada noite do que aquilo que vemos nas notícias. O mesmo acontece com esporte, é por isso que o esporte, mesmo voltando aos anos 70… nos anos 70 você disse, não?

SB: Uhum.

KM: Eu acho que isso ao menos é algo no qual você tem o sentimento como uma chance de abrir a porta e fazer a vida mais fácil para as pessoas se unirem na empolgação do futebol, e o mesmo ocorre com a música.

SB: E falando de Copa do Mundo, o que você espera para essa próxima? É claro que você quer que a Alemanha ganhe, mas quem você acha que vai ganhar?

KM: Vendo a empolgação de como o Brasil está trabalhando e construindo para esse evento, acho que será uma Copa fantástica porque o Brasil agita não só por música mas também por futebol, dá pra sentir isso, é o mesmo aqui na Alemanha, nós vivemos o futebol, e no Brasil se vive, respira-se o futebol, e isso significa muito, então a Copa do Mundo é algo por que todos nós na Alemanha estamos esperando. Se o Scorpions vai tocar lá ou não… não sei, mas ir a essa Copa seria fantástico! Voltar ao Brasil e assistir à final, por exemplo. Wow! Isso seria mesmo fantástico! Mas… quem vai ganhar? O melhor vai ganhar. E eu sei que existe uma grande amizade entre Franz Beckenbauer e Pelé, e eles são dois jogadores lendários, acho que eles significam muito para os fãs de futebol ao redor do mundo e nós estamos muito ansiosos para ver essa copa.

SB: Então, nós estamos terminando essa entrevista. Você poderia mandar uma mensagem aos fãs brasileiros? Eles vão enlouquecer ao saber de você, sabe, então… pode mandar uma mensagem?

KM: Uma mensagem? Oh, eu gostaria de dizer muito obrigado por todo o seu amor e apoio por todos esses anos, desde o passado, no Rock in Rio 85 e fazendo shows no Brasil todos esses anos, sempre foi algo muito especial e nós podemos sentir o quando a música significa para os nossos fãs no Brasil, desde o tempo que vocês nos seguem desde os tempos antigos, do tempo que vocês viram o Rock in Rio pela primeira vez até todas essas crianças, é fantástico, elas nos dão muita energia e o que quer que tentemos dar aos nossos fãs com a música, nós recebemos muito de volta, e eu gostaria de agradecer por todo esse amor e suporte e esperamos vê-los novamente. [N.E: Klaus manda um beijo com a mão para os fãs]

SB: E em nome deles, eu digo muito obrigada também! Só mais uma coisa, nós temos visitas de pessoas da América Latina, como Chile, Argentina, México… todos visitam nosso site então… você poderia mandar uma mensagem pra eles também?

KM: É claro! Essa última turnê desses últimos anos, a turnê de despedida, a Final Sting Tour, foi um perfeito sucesso, mas não só por causa de nós no palco, foi por causa de vocês indo aos nossos shows e fazendo de cada show um momento inesquecível. Tudo o que podemos fazer é dar a nossa energia e tocar com toda paixão e todo o poder que conseguirmos liberar a cada noite aí afora, mas, ao final do dia, quando os fãs vão para casa e... o que faz a noite ser tão especial? Eles dizem que foi mágico! E isso é por causa de vocês, só por causa de vocês, vocês fazem isso ser especial, porque o modo como cantamos juntos, o modo como interagimos e o que fazemos juntos é o que faz um grande show, vocês são uma parte muito importante em cada show do Scorpions. Nós tocamos ao redor do mundo, do México ao Brasil, do Chile à Colômbia e Argentina, então… onde quer que toquemos nesses últimos anos, nós sempre nos sentimos acolhidos e eu gostaria de dizer muito obrigado por fazerem nossas vidas muito, muito especial. Muito obrigado, nós amamos vocês.

SB: E eu digo obrigada por existir, obrigada por ser Scorpions! Espero que possamos nos falar outra vez e realmente espero que possam voltar ao Brasil, e se não voltarem, eu vou à Europa se vocês tocarem por aí. Eu os verei em algum lugar de novo!

KM: Isso seria muito bom. Muito obrigado, Roberta!

SB: Muito obrigada!

Ouça a entrevista (em inglês) no YouTube!  


Entrevista: Roberta Forster.

Colaboração de roteiro: Adriano Tardoque e Patrícia Camara.

Transcrição e tradução: Roberta Forster, Aline Lucena Lins, Adriana Prado (Argentina) e Mônica Bonates Feijó. 

Fotos: Roberta Forster.

Agradecimentos: a todos os amigos e fãs seguidores do Scorpions Brazil! 

Agradecimento especial a André Cristian de Oliveira, por ajudar com a parte técnica desta matéria!

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Fã da Vez

Da esquerda, Graziela, Vinicius e Gabriel de São Leopoldo/RS ao lado de Ana Maria de Sta. Bárbara D'Oeste/SP no show do Scorpions em 2012. As músicas prediletes do grupo são No One Like You e Blackout.
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