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Herman Rarebell: Entrevista exclusiva ao Scorpions Brazil

Postado por Roberta Forster em 06 Out 2012

Herman Rarebell, o lendário baterista do Scorpions que deixou o grupo em 1995 dando lugar a James Kottak, concedeu-nos uma divertida entrevista. Ele nos atendeu diretamente de sua casa, em Brighton, com muita simpatia e respondeu algumas questões sobre o seu livro lançado recentemente no Brasil com o título “SCORPIONS: Minha história em uma das maiores bandas de todos os tempos” e outras curiosidades sobre o Scorpions. Confira esse descontraído bate papo!


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Scorpions Brazil: Olá Herman, como vão as coisas por aí?
Herman Rarebell:
Aqui está tudo bem, eu estava fazendo compras com a minha mulher, tentamos chegar às 5 ou 6 da tarde, mas não deu tempo de chegar, é por isso que estou atrasado, cheguei só às 8 da noite!

SB: Ah, tudo bem! Sem problemas, vamos lá! Eu tenho o seu livro aqui, você já viu a capa da edição brasileira?
HR:
Eu vou te mostrar a capa, só um minuto [Herman vai buscar o livro original em inglês e mostra na webcam]. Essa é a verdadeira capa, consegue ver?

SB: Sim, sim! Você não viu a capa brasileira?
HR: Sim, e esse é o problema do livro!

SB: Esse daí é o livro original em inglês, certo?
HR: Sim, é o livro em inglês lançado pela Amazon.com nos Estados Unidos e também na Inglaterra. Essa é a capa inglesa, eu não estou muito feliz com a capa brasileira, porque eu disse a eles para copiarem a minha capa da Europa, mas eles preferiram fazer a própria capa no Brasil... bom, foi uma ideia do editor, você sabe.

SB: Bem, você queria a sua própria capa e então eles fizeram a capa com o escorpião e o logo do Scorpions.
HR: É, eles fizeram a própria capa, eu acho que eles concluíram que aquela capa seria mais vendável que a minha capa original. Bom, eles conhecem o mercado brasileiro melhor que eu então eu confiei neles é o que saiu. Mas tudo bem.

SB: Eu acho que eles pensaram que usando o logo do Scorpions poderiam chamar mais atenção dos fãs para o livro.
HR: Provavelmente é exatamente o que pensaram, mas estou feliz que o livro foi traduzido e espero que os fãs brasileiros fiquem felizes ao ouvir a minha história sobre o Scorpions,  a tradução é muito boa, eles mantiveram o humor e fizeram um bom trabalho.

SB: Eu não li a versão original em inglês, mas eu acho que a tradução está muito boa, você é muito divertido e eu pude rir bastante, estou impressionada com o livro; ele é muito engraçado e bem diferente do que autobiografias costumam ser. Parabéns!
HR: Isso é bom, estou muito feliz que tenha gostado.

SB: Como é trabalhar com um coautor? Você tem histórias para contar e ele encontra um bom meio de colocar tudo isso em uma boa forma textual?
HR: Eu e meu coautor, Michael Krikorian, ele é americano... bom, na verdade foi ele quem me escreveu uns dois anos atrás para falar sobre escrever esse livro. Eu disse a ele “sim, acho que é uma boa ideia mas eu preciso de alguém que fale inglês perfeitamente, quero dizer, inglês não é a minha língua materna” – como também não é a sua, nós dois falamos inglês mas não é nossa língua mãe – Então, eu precisava que alguém, como um americano, americanos tem inglês como sua língua materna, e precisava de alguém que tivesse uma conexão de ideias e isso é muito difícil de encontrar. Eu e Michael, nós fizemos tudo, no começo ele veio para Brighton e nós passamos dez dias juntos e eu contei a ele a minha vida toda, e ele gravou tudo, ficou ali sentado o tempo todo, gravando, ouvindo tudo, e depois disso ele foi embora de Brighton. Três meses depois, em maio, eu estava verdadeiramente pronto para ouvir tudo, completar as histórias, corrigir... E acho que começamos um processo criativo de trocas, que você faz quando cria alguma coisa, e no fim de maio o livro estava pronto e, você sabe, nós o lançamos em setembro de 2011 e eu fui à América para apresentar o livro em outubro e novembro, fazendo um pequeno tour, inclusive na Califórnia. E uma rádio que faz um metal show fez a promoção do meu livro, e é um programa muito famoso lá, então depois do Metal Show de repente meu livro era o número nove Amazon.com, foi muito bom ver isso acontecer, o livro está vendendo muito bem na América. Bem, as pessoas estão gostando, eu vejo muitos comentários como: “nós gostamos do humor”; “é muito divertido ler”; “nós amamos o seu livro”, então estamos tendo uma ótima resposta dos fãs americanos e eu me sinto muito bem com isso!

SB: Falando sobre algo que você escreveu no livro. Você disse que a música Steamrock Fever é sobre a Califórnia que você não se lembrava se havia perguntado ao Klaus por que ele escolheu a Califórnia para ser o centro de sua febre.  E então, já perguntou pra ele agora?
HR: Não, eu nunca perguntei (risos). Naquele tempo todos tínhamos uma base na fantasia, porque como você sabe, naquela época era difícil sair da Alemanha, estávamos presos em Hanover, tínhamos sorte se conseguíamos sair de lá. Então era um sonho e a música Steamrock Fever em L.A. (Los Angeles) era um sonho para nós, ir para a América e ser uma grande banda lotando um estádio... era um sonho, você sabe, então a música Steamrock Fever era mais como uma fantasia.

SB: Eu estive com a banda há mais ou menos uma semana [a entrevista com Herman foi feita uma semana depois dos shows em São Paulo], eles vieram fazer shows em São Paulo e eu tive a chance de conversar com eles. Acabei me esquecendo de perguntar ao Klaus sobre essa música (risos).
HR:
É, mas acho que é isso mesmo, uma fantasia “Espero um dia tocar na América, espero um dia termos nossa Steamrock Fever em L.A.”, então é isso... mas como estão os garotos?

SB: Ah, eles estão muito bem, eu inclusive tive a chance e entrevistar o Rudolf e ele ficou chateado comigo porque eu li o seu livro e não li o dele! (risos)
RH: Bem... o que eu posso dizer (risos)

SB: Mas eu disse a ele que precisei ler seu livro primeiro porque eu ia fazer uma entrevista sobre ele com você em breve!
HR:
Tenho certeza que você disse a ele que gostou do meu livro, hum!

SB: (risos) É claro que eu disse! E prometi a ele ler o livro dele em breve e então enviar-lhe uma resenha! Você leu o livro do Rudolf?
HR: É claro que eu li o livro, yeah... Eu acho que é um livro muito interessante para alguns alertas para a vida, você sabe, o que poderíamos fazer para viver uma vida feliz, podemos acordar pela manhã, fazer exercícios, isso e aquilo... é um livro sobre como ter uma vida melhor. Esse é o ponto de vista, abra você mesmo a sua mente.

SB: Ah, sim, eu estou lendo ele agora! Eu consegui uma edição portuguesa autografada, veja! [mostro o livro na webcam, e mostro o dele também]
HR: Isso é muito legal! Eu autografarei meu livro pra você quando eu for para aí. Eu irei para a América do Sul com o Michael Schenker entre 19 e 26 maio de 2013 e acho que teremos alguns shows do Brasil, acho que dois ou três.

SB: Uau, isso é muito legal! Então pedirei para você autografar meu livro!
HR: Claro, e eu assinarei para você com muito prazer!

SB: Obrigada! Tem um vídeo de 14 minutos da sua banda tocando em Saar... Saarbrücken? Eu pronunciei corretamente?
HR: Sim! É a minha cidade natal, de onde eu vim. Você, de onde é?


CLIQUE PARA VER O SHOW DA BANDA EM SAARBRÜCKEN

SB: Eu sou de São Paulo, eu nasci aqui.
HR: Ah, ok. Então, eu nasci em Saarbrücken.

SB: Ah, sim! Então, no setlist daquele show tem algumas músicas do Scorpions. E devo dizer que Still Loving You com a Claudia [Claudia Raab, esposa do Herman] ficou muito boa!
HR:
Que bom que gostou!

SB: E como é a sensação de tocar com outra banda as músicas do Scorpions?
HR: Ah, para mim não tem problema. Não se esqueça que as músicas do Scorpions que toco ao vivo com a minha banda são minhas também, são musicas que escrevi, ou sozinho ou com o Rudolf. Então, para mim, quando toco Another Piece of Meat, estou tocando a minha música, Quando eu toco Blackout é a mesma coisa, eu escrevi a letra dela. Eu não tocaria nada que eu não tivesse participado para compor, com a exceção de Still Loving You. Nós a tocamos com sax porque essa é uma música muito difícil de ser cantada por outro cantor, a voz do Klaus é muito única, mas acho que Claudia fez um excelente trabalho com ela no saxofone.

SB: Sim, gostei muito do som no saxofone dela! E você conseguiria imaginar o que o Scorpions seria hoje se você ainda estivesse na banda?
HR: Hmm... seria diferente. Vamos colocar dessa forma. É, diferente.

SB: Apenas diferente... hm, ok. O Scorpions vai diminuir o ritmo e parar com suas grandes turnês mundiais e provavelmente haverá um grande show como o último dessa grande turnê, seria muito legal se você se juntasse a eles para esse show, como uma grande festa! Há alguma chance de isso acontecer?
HR:
Eu não teria problema algum em ir, basta eles me convidarem e eu estarei lá!

SB: E como está a agenda de shows da sua banda? Há alguma chance de trazê-la ao Brasil?
HR:
Sim! Acho que pode acontecer. Minha visita ao Brasil será primeiro com o Michael Schenker –  como eu já te disse, vai ser entre 19 e 26 de maio de 2013 – e então eu falarei da minha banda com os promotores brasileiros e então talvez eu possa voltar com a MINHA banda depois de 2013. Falarei com eles, mostrarei alguns vídeos e conversarei sobre as possibilidades de fazer shows com a minha banda por aí.  

SB: Ah, seria muito bom! Eu fotografo shows de rock e se você vier com a sua banda, “I’ll be there shooting you”!
HR: Oh, Legal! Espero que sim!

SB: Como você sabe, nós temos o site ScorpionsBrazil.net e recebemos algumas de fãs. Como foi o processo de composição da música Crossfire?
HR:
Bom, o processo de composição foi... bem, basicamente a música já estava pronta quando me deram para colocar a bateria então foi aquele “Trum ta ta ta ta ”, você sabe, então eu comecei a fazer aquilo, e então depois veio o Klaus para colocar a voz dele, Rudy já tinha colocado a guitarra dele.. então, o processo de uma música normalmente começa com a guitarra rítmica, baixo e bateria, em cima disso vem a guitarra solo e, depois de tudo, colocamos a voz, e aí.. nós gravamos.

SB: nos créditos do álbum Eye To Eye consta a sua participação nos vocais da música Mind Like A Tree, e nessa época você já tinha saído da banda. Como foi essa participação, você foi convidado na época ou essa música estava gravada desde a época em que você ainda estava na banda?
HR:
Eles fizeram ao música e então me convidaram para o coro.

SB: Provavelmente a música Rubber Fucker foi a sua última contribuição como compositor no Scorpions. Sobre o que ela fala? Ela conta alguma história que você passou, assim como em suas outras composições? Por que ela não entrou no álbum Face The Heat?
HR: A música é simplesmente sobre usar camisinha para enquanto você faz sexo, para prevenir contra a AIDS. Ela não foi para o álbum Face the Heat porque a gravadora achou que a letra era muito ofensiva!

SB: Certo. E voltando ao seu livro, você falou sobre ele com os integrantes do Scorpions? Você sabe se eles leram, se eles gostaram do livro?
HR: Eu não tenho a mínima ideia se eles leram, se eles gostaram. Descobrirei da próxima vez que encontrá-los! Mas tenho certeza que se eles leram e não gostaram teriam me escrito alguma coisa, mas não escreveram. Então... na verdade não tenho a mínima ideia.

SB: Bom, se eu tiver a chance de falar com eles de novo, perguntarei sobre isso!
HR: Ok, esperemos!

SB: Ah, já ia me esquecendo! Em quantas línguas o seu livro já foi traduzido?
HR: Por enquanto foi traduzido do inglês para o português, para o finlandês, está em processo de tradução para o chinês...

SB: Chinês??
HR: Sim, e está também em processo de tradução para o alemão, há um editor alemão interessado nele, e também para o francês, estou tentando russo e acho que teremos também uma versão em espanhol. Já temos em português, mas queremos muito o livro em espanhol para os fãs espanhóis. Talvez venha também em italiano... as portas estão abertas.

SB: Mas por enquanto está definitivamente traduzido apenas para o português e... qual mais?
HR: Temos o original em inglês que foi traduzido para o português, finlandês e a versão em chinês já está para sair.

SB: E porque você não quis escrever o livro em alemão? Porque decidiu escrever em inglês, que não é a sua língua materna?
HR: Porque no mundo muito mais pessoas falam inglês, então eu preferi escrever em inglês a escrever em alemão porque não são muitas as pessoas que falam alemão... apenas na Alemanha, na Áustria...  então eu disse a mim mesmo: Escreva em inglês. Foi mais ou menos como no Scorpions, quando começamos nossa carreira, nós escrevíamos as letras em inglês porque queríamos alcançar o mundo todo.

SB: Ah, então foi a mesma ideia com o Scorpions, ok, captei!
HR: Sim, a mesma ideia. Quando me juntei à banda em 1977, eu vivi na Inglaterra seis anos antes, então eu já falava um bom inglês... então, quando me juntei ao Scorpions a primeira coisa que disse a eles foi: “Nós devemos tentar escrever todas as letras em inglês  porque dessa forma poderemos alcançar todos ao redor do mundo”, e eles me disseram “O mundo todo? Ficaríamos felizes em ser famosos na Alemanha!” e eu disse “Não, devemos ser famosos no mundo inteiro!”

SB: Eu acho que foi esse o problema com o livro do Rudolf, porque ele foi escrito em alemão e agora as pessoas estão esperando uma tradução em inglês. Eu posso lê-lo agora porque o livro foi lançado em Portugal  e um amigo português o enviou para mim. Mas se ele tivesse sido escrito primeiramente em inglês acho que mais pessoas o estariam lendo agora.
HR:
Exatamente, é por isso que comecei o meu em inglês, e claro que quero que ele seja traduzido para o alemão – e será! Eu encontrei um editor alemão e lançaremos o ano que vem, provavelmente em março – mas para mim o inglês era o mais importante agora.

SB: Bom, acho que acabamos! Muito obrigada pela entrevista, foi muito legal conversar com você! Desculpe-me pelo meu inglês, sou melhor lendo e escrevendo do que falando... (risos)
HR: Tudo certo! Quando você terminar com a entrevista, me mande para eu ver!

SB: Ok! Pode deixar.
HR: Muito obrigado, Roberta! Vemo-nos em breve!

SB: Obrigada! Estarei esperando você com o Michael!
HR: Vejo você lá!

Entrevista e tradução: Roberta Forster
Colaboração: Mailson Fiuza, Fábio Léda, Patrícia Camara e Vinicius Moia Monte Alegre.

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Fã da Vez

Da esquerda, Graziela, Vinicius e Gabriel de São Leopoldo/RS ao lado de Ana Maria de Sta. Bárbara D'Oeste/SP no show do Scorpions em 2012. As músicas prediletes do grupo são No One Like You e Blackout.
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